2009-10-16

We

"We" process of work 2009

2009-01-22

Olafur Eliasson

"I see potential in the spectator - in the receiver, the reader, the participator, the viewer, the user.
I... regard museums... as spaces where one steps even deeper into society, from where one can scrutinize society". Olafur Eliasson (Take Your Time)

2009-01-19

Embryo Bag

Saco de Embriões, 2009, parafina, cola e lã, 20x60 cm, NY.
Embryo Bag, 2009, wax, glue and wool, 8"x23", NY.

2009-01-10

Theoretical Project

Projecto Teórico, 2008, pano, látex e alumínio, medidas expansíveis.
Theoretical Project, 2008, fabric, latex and aluminium, expandable.

2008-12-22

Coccon

2008, Parafina e cola. Galeria Municipal do Castelo de Pirescouxe
2008, wax and glue.

Cocoons

2008, Gesso e látex sobre parafina. Galeria Municipal do Castelo de Pirescouxe.
2008, Plaster and latex on wax.

Cocoon Process

2008-07-13

Costume #1

2008, metalic fabric with zipper and velcro, 5' 25", Ct.
2008, tecido metálico, fecho éclair e velcro, 1,60 cm, Ct.

2008-04-21

..."A obra é assim um processo da relação do corpo, da vida com um espaço aberto, ficcional, aéreo ou impossível.O lugar em si não existe afinal, porque quando derramamos sobre a terra essa sede irrecusável em partilhar ou devolver o que de facto só nos pertence, no instante em que o oferecemos aos outros, estaremos finalmente livres.” Francisco Sousa (este excerto refere-se à obra de Graça P. Coutinho patente na G7)

2008-03-24

Umbilical Cord Dress 2D

Umbilical Cord Dress 2D, 2008, oil on canvas, 20"x16", Ct.
Vestido Cordão Umbilical 2D, 2008, óleo sobre tela, 51x40cm, Ct.

Twin Hood 2D

Twin Hood 2D, 2008, oil on canvas, 16"x20", Ct.
Touca Gemea 2D, 2008, óleo sobre tela, 40x51cm, Ct.

Belly Union 2D

Belly Union 2D, 2008, oil on canvas, 16"x20", Ct.
União de Barrigas 2D, 2008, óleo sobre tela, 40x51cm, Ct.

Human Backpack 2D

Human Backpack 2D, 2008, oil on canvas, 16"x20", Ct.
Mochila Humana 2D, 2008, óleo sobre tela, 40x51cm, Ct.
"The building site is the site for a story, a story that acts as if the site proceeded it. But there is no site without project. The project actually produces the site... in a sense, the project is never more than an image, an image that, like all images, can be occupied... the project is the story that produces the image of the site's reality." Mark Wigley

2008-03-01

TINY LITTLE RED GIRL

Tiny Little Red Girl, oil on canvas, 24" x30", 2008, ct.
Menina Pequenina Encarnada, óleo sobre tela, 61 x 76 cm, 2008, ct.

2008-02-08

TINY LITTLE BLUE GIRL

Tiny Little Blue Girl, oil on canvas, 24" x30", 2008, ct.
Menina Pequenina Verde, óleo sobre tela, 61 x 76 cm, 2008, ct.

2008-01-25

SUNFLOWERS

Sunflowers, oil on canvas, diptych 24"x18" each, 2007. Courtesy of Anna Soderlind.
Girassóis, óleo sobre tela, díptico 62x46 cm cada, 2007. Cortesia de Anna Soderlind.

2008-01-09

RAGE

Rage, oil on canvas, 24"x18", 2008, ct.
Raiva, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2008, ct.

THEATRICAL

Theatrical, oil on canvas, 24"x18", 2008, ct.
Teatral, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2008, ct.

KNOWLEDGE

Knowledge, oil on canvas, 24"x18", 2008, ct.
Sabedoria, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2008, ct.

SIMILAR

Similar, oil on canvas, 24"x18", 2008, ct.
Similar, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2008, ct.

2008-01-03

MELANCHOLY

Melancholy, oil on canvas, 24"x18", 2008, ct.
Melancolia, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2008, ct.

2007-12-28

SHADOW

Shadow, oil on canvas, 24"x18",2007, ct.
Vulto, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

2007-12-27

VIEW

View, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Vista, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

SPELL

Spell, oil on canvas, 24"x18", 2007,ct.
Feitiço, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007,ct.

2007-12-22

BEAUTY

Beauty, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Beleza, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

INTROSPECTION

Introspection, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Introspecção, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

2007-12-18

DUAL

Dual, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Dual, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

SEGMENT

Segment, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Segmento, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

2007-12-11

MISREPRESENTATION

Misrepresentation, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Má Representação, óleo sobre tela, 62x46 cm, 2007, ct.

ABBREVIATION

Abbreviation, oil on canvas, 24"x18", 2007, ct.
Abreviação, óleo sobre tela, 61x46 cm, 2007, ct.

2007-12-07

Tiny Little Green Girl

Tiny Little Green Girl, oil on canvas, 24" x30", 2007, ct.
Menina Pequenina Verde, óleo sobre tela, 61 x 76 cm, 2007, ct.

2007-11-29

Tiny Little Yellow Girl

Tiny Little Yellow Girl, oil on canvas, 24" x30", 2007, ct.
Menina Pequenina Amarela, óleo sobre tela, 61 x 76 cm, 2007, ct.

2007-11-28

Twins

Twins, óleo sobre tela, 50x40 cm. 2007. ct

2007-11-16

VESTIDO CORDÃO UMBILICAL

Tricô com lã azul petróleo, 200x70 cm (medidas máx.), 2007.

"Arte Contemporânea - Uma Introdução"

«Em termos de comunicação, a rede é um sistema de ligações multipolares no qual pode ser conectado um número não definido de entradas, cada ponto da rede geral pode servir de partida para outras microrredes.» Anne Cauquelin

MENINA COM BARRIGA DE GRÁVIDA III

Óleo sobre tela (pormenores à esquerda), 70x100 cm, 2007. Lx

2007-11-04

MENINA COM BARRIGA DE GRÁVIDA II

Óleo sobre tela, 92x72 cm, 2007.

MENINA COM BARRIGA DE GRÁVIDA I

Óleo sobre tela, 92x72 cm, 2007. (fotografia cortada)

2007-09-30

EMBRIÕES METAMÓRFICOS

Embriões Metamórficos Parafina, água e corantes dentro de frascos de vidro, 10x8 cm, 2007.

MENINA NO SOFÁ I

Menina no Sofá I
óleo sobre tela, 2007

2007-08-08

Embrião Metamórfico

Embrião Metamórfico sofre a transformação de embrião humano a monstro MOTELx. Trata-se do modelo Designer Toy, para o objecto simbólico do Festival Internacional de Cinema de Terror - MOTELx. Encontrar-se-á dentro dum frasco, análogo aos restos mortais preservados em formol. O Festival MOTELx irá decorrer nos cinemas S. Jorge em Lisboa de 5 a 9 de Setembro.

2007-06-18

Art & Fear (Conceptual Worlds)

...art is something you do out in the world, or something you do about the world, or even something you do for the world. The need to make art may not stem solely from the need to express who you are, but from a need to complete a relationship with something outside yourself. (...) Art is a contact, and your work necessarily reveals the nature of that contact.
David Bayles & Ted Orland

Feto Ventosas

Estudos de cor e textura para a produção dos objectos em parafina e silicone. A encarnado e verde a parafina e a branco o silicone.

Oficina de máscaras

Pasta de papel, quatro camadas de betume... lixar, lixar, lixar... pintura a acrílico ou a óleo... e duas fitas de cetim para atar à cabeça. Está feito!

Oficina de máscaras

Uma pequena amostra.

2007-06-13

Feto Ventosas

Protótipo - Feto Ventosas Barro vermelho moldado, 12 cm de comprimento, 6 cm de largura (cabeça), 19 cm de diâmetro (cabeça), 2007 Proposta de objecto símbolico para festival de cinema de terror. Para produzir em silicone ou parafina.

2007-04-20

Menina com Barriga de Grávida

2007, silicone e parafina dentro de resina cristalina dentro de pele de carneiro com fecho em plástico e enchumaço em pano felpudo. Costume em cetim branco. Modelo - Laura Graça. LITLE GIRL WITH A PREGNANT BELLY 2007, sillicone and paraffin inside crystalline resin inside sheep leather with a plastic bolt and a terry cloth pad. Costume made of white satin. Model - Laura Graça.

Barriga de Grávida

2007, silicone e parafina dentro de resina cristalina dentro de pele de carneiro com fecho em plástico e enchumaço em pano felpudo, tamanho máximo 50 cm. PREGNANT BELLY 2007, sillicone and paraffin inside crystalline resin inside sheep leather with a plastic bolt and a terry cloth pad, 50 cm being the greatest size.

2007-04-05

Barriga de Grávida

2007-04-04

A peça finalmente secou, tive de partir o molde de gesso para a soltar. Agora vou lixá-la até ficar translucida. Para em seguida criar uma peça de adaptação ao corpo humano, dentro da qual estará esta "barriga de grávida".

...ainda no molde

Mimética

A natureza produz semelhanças. Basta pensarmos no mimetismo. É, porem, o homem que possui a mais elevada capacidade de produzir semelhanças. Este dom que o homem tem não é senão um rudimento da violenta coacção a que ele estava sujeito outrora, para ser semelhante e para assim se comportar. Talvez o homem não possua mesmo nenhuma faculdade superior que não seja condicionada pela faculdade mimética.
Walter Benjamin "Teoria das Semelhanças"

2007-02-23

FETO

Bébe de silicone cor de rosa coberto por uma camada fina de parafina vermelha. Finaliza a primeira parte do projecto. Resta agora introduzi-lo no molde de gesso "barriga de grávida" e verter a resina. Tive de usar o silicone porque a resina atinge temperaturas muito altas na cura, e a parafina não as suportaria.

Bébe "partido" ao meio acabado de sair do molde, precisa de ser retocado.

Molde em silicone com positivo em silicone moldável cor de rosa.
Molde "barriga de grávida" em gesso com uma camada de latex, que servirá como desmoldante da resina.

2007-02-01

A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica

"O Culto foi a expressão original da integração da obra de arte no seu contexto tradicional. Como sabemos, as obras de arte mais antigas surgiram ao serviço de um ritual, primeiro mágico e depois religioso. É, pois, de importância decisiva que a forma de existência desta aura, na obra de arte, nunca se desligue completamente da sua função de ritual." (...) "A partir da chapa fotográfica, por exemplo, é possível fazer uma grande quentidade de cópias, o que retira sentido à questão da cópia autêntica. Mas nesse momento, com o fracasso do padrão de autenticidade na reprodução de arte, modifica-se também a função social na arte. Em vez de assentar no ritual, passa a assentar numa outra praxis: a política." [IV]
Walter Benjamin

2007-01-24

Cá está!

Estas imagens que se seguem documentam o meu processo criativo na produção de uma série de bébes em parafina.

Desenformar

Molde de silicone

Clonagem

Menina no Sofá

Ela está a olhar para ti! E tu?

2007-01-16

PRINCESA CLARICE

Fiz esta saia para oferecer a uma grande amiga. A princesa Clarice é uma "esbelta" boneca vinda de uma história, foi nela que procurei inspiração.

2006-11-06

Arte & Fear (citação p.2)

"Making art now means working in the face of uncertainty; it means living with doubt and contradiction (...) Making the work you want to make means setting aside these doubts so that you may see clearly what you have done, and thereby see where to go next. Making the work you want to make means finding nourishment within the work itself. This is not the Age oh Faith, Truth and Certainty."
by: David Bayles & Ted Orland

2006-11-05

Crítica da Razão Pura (citação)

(...)"tente imaginar alguma coisa que existe fora do tempo e que não tem extensão no espaço." (...) "Até aqui, foi assumido que todo o nosso conhecimento deve conformar-se aos objectos. Mas todas as nossas tentativas de estender o nosso conhecimento de objectos pelo estabelecer de qualquer coisa "a priori" a seu respeito, por meios de conceitos, acabaram, nesta suposição, por falhar. Temos pois, por tentativas, que ver se temos ou não mais sucesso nas tarefas da metafísica, se supusermos que os objectos devem corresponder ao nosso conhecimento" [Bxvi]. Idealismo Transcendental de Imanuel Kant

União de Barrigas (pormenor), 2006

2006-11-04

DISFUNCTION: CRITIQUE

. . .at first glance, seems to stir up some sort of theoretical awe. This immediate response may occur by means of a superficial idea about what busty dresses, leather, metal chains and buckles may symbolize- which is a sort of visual seduction intended to intimidate. Upon further appraisal, we may witness the development of Disfunction as a reflection of social obligation. . . .In other instances, seems to be a project entirely based on visual stimulation and form. This appraisal comes from the simplicity of the fabrics and design, which project comfort and a return to the basic structure of clothing. Although simplicity as an aesthetic quality does not correlate with Disfunction as a theoretically binding median, it satiates its purpose as a sculpture and as an image reflecting a particular style or the taste in which the artist outputs. What is the value of Disfunction? As a work of art, it should contain evidence of symbolism and a certain talent in which the artist exhibits to set herself apart from other artists. Aside from being an original work of art, it should also reflect some aspect of subjective, or objective, understanding, or incomprehension, of the self. In my opinion, Disfunction demonstrates legitimate characteristics of both the former and the latter necessary justifications for intrinsic value as a work of art. Seeing multiple subjects fused together with leather garments, giving life to the sculpture, portrays an obligation similar to the one we experience everyday, which is the obligation to integrate and sympathize with others and to the times by means of sharing the same space and the limited ways of expression (assuming clothing, for example, can be utilized as a means of expression). The artist creates a space to be shared with her sculpture, while not allowing a by- standard to completely integrate with the sculpture without becoming a multiple- subject with other individuals. The use of clothing as a politically- correct way of homogenizing the subjects is a beautiful way of demonstrating humility, which we find every time we dress ourselves. This requires a certain level of talent and chutzpah on behalf of the artist, setting her apart from more conservative ideologies while maintaining a tasteful arena in which to portray her contributions to the art world. The artist chooses vivid colors and textures for Disfunction that penetrates the eye and creates a pleasant visual perception of the sculpture as a whole. My impression of the clothing design is that it seems classical, and very simplistic, which takes me back to more wholesome times I have been conditioned to understand as being honest ones. Therefore, I feel as though Disfunction creates a reduction in distractions, allowing me to better communicate with the art and the theoretical possibilities that it just might be adding salt to our distraction- caused social wounds. This is a good example of a true paradox of our collective psychology. In addition to the lively garments and the way they seduce the cognitions, I believe that the quality and fashion of the leather used in Disfunction is modest yet effective. Its natural tones allow for a more organic look, which permits the viewer to, once again, reduce distractions, relax and observe the further realities of the sculpture as a whole. In most circumstances, leather is considered to be a rigid or erotic material, but the artists does a fantastic job in re- inventing leather, so as to add credibility to the work. On the contrary to restricting, this particular leather seems to snuggly grip the subjects in a seemingly unpretentious and comfortable way. In Disfunction, chain links and metal buckles are used, in addition to silky cloth and virgin leather. Chains are also associated with the erotic, but perhaps better correlated with restrictive devices such as handcuffs or shackles. Typically, the layman avoids such devices. Buckles are symbols of virility and security, as well a being a technology that is very utile and conventionally used. The combination of metal chains and buckles may intimidate the viewer into double guessing his, or her, own insecurities about Disfunction. This may have been an unintentional byproduct of the taste in materials exhibited by the artist, or it may have been deliberate, so as to portray a theoretical possibility behind many frustrations associated with social obligation. For example, we may be bound, like the chains and buckles, to certain responsibilities and people due to a social contract, such as employment or education. On the other hand, chains and buckles may signify security and protection. We may juxtapose the unity amongst two subjects in a healthy relationship or multiple subjects on a football team, as they are also bound like chains and buckles, only in this case it is a positive social contract in which all parties agree upon agreeing towards a certain objective. These aspects of Disfunction make it more credible as a dynamic work of art, giving it great aesthetical and theoretical value. The artist has fashioned a world of microcosms amongst a banquette of gaudy, yet simple, outfits. Every aspect of Disfunction can be seen as a subtle excuse to question the value of such an artwork, yet always concluding itself with just paradoxes. Aside from its impracticality in most public spaces, Disfunction depicts a flash of life as a social animal. It is as wonderful to look at, as it is to decipher. The title of this piece justifies the matter of values as norms and values as ideologies. Although not seeming to be a norm, this work is a lucent example of a cross-section of existence in an ideological environment. Cheers to Rute Ventura for her hard work, vigorous planning and impeccable attention to detail. BY: Daniel J. Enxuto 2006

Disfunction, União de Barrigas, 2006

Performance na antiga fábrica da Ceres nas Caldas da Rainha - Exposição de Finalistas da E.S.A.D.

Disfunction, Touca Gemea, 2006

Performance na antiga fábrica da Ceres nas Caldas da Rainha. Exposição de Finalistas da E.S.AD.

Disfunction - Mochila Humana, 2006

Performance na antiga fábrica Ceres das Caldas da Rainha - Exposição de Finalistas da E.S.A.D.

Disfunction, 2006

O Corpo Utópico

(...) Fui tonto à bocado ao julgar que o corpo nunca estava noutro sítio, que era um aqui irremediável e que se opunha a qualquer utopia. O meu corpo, com efeito, está sempre noutro sítio. Está ligado a todos os outros sítios do mundo. E, para dizer a verdade, só no mundo é que está noutro sítio. Porque é à volta dele que as coisas se dispõem, é relativamente a ele, e relativamente a ele como relativamente a um soberano, que há um cima, um baixo, uma direita, uma esquerda, uma frente e um atrás, um próximo e um distante. O corpo é o ponto zero do mundo, ali onde os caminhos e os espaços se vêm cruzar. O corpo não está em parte alguma, está no coração do mundo, este pequeno núcleo utópico a partir do qual sonho, falo, avanço, imagino, percebo as coisas no seu lugar e as ligo assim pelo poder infinito das utopias que imagino. O meu corpo é como a cidade do sol, não tem lugar, mas é dele que saem, que irradiam todos os lugares possíveis, reais ou utópicos. No fim de contas, as crianças demoram muito tempo até saberem que têm um corpo. Durante meses, durante anos, têm apenas um corpo disperso, e tudo isso se organiza, tudo isso só toma literalmente corpo na imagem do espelho. De uma forma ainda mais estranha, os gregos de Homero não tinham palavras para designar a unidade do corpo. Por mais paradoxal que seja, diante de Tróia, sob os muros definidos por Heitor e os seus companheiros, não havia corpos, havia braços levantados, havia peitos corajosos, havia pernas ágeis, havia elos fascinantes sobre as cabeças, não havia corpos. A palavra grega que quer dizer corpo só aparece, em Homero, para designar o cadáver e o espelho que ensinaram aos gregos e que ensinam agora às crianças, que temos um corpo, e que este corpo tem uma forma, que esta forma tem um contorno, que neste contorno há uma espessura, um peso, em suma, que o corpo ocupa um lugar. É o espelho e é o cadáver que atribuem um espaço à experiência própria, profundamente e originariamente utópica do corpo. É o espelho e o cadáver que calam e apaziguam, e fecham numa clausura que está agora para nós selada essa grande raiva utópica que arruína e volatiliza a cada instante o nosso corpo. É graças ao espelho e ao cadáver que o nosso corpo não é puro espírito, nem simples utopia. Ora, se pensarmos que a imagem do espelho se aloja para nós num espaço inacessível, e que não poderemos nunca estar no sítio onde estará o nosso cadáver, se pensarmos que o espelho e o cadáver estão eles próprios num invencível outro sítio, descobrimos então que só as utopias podem encerrar em si e esconder um instante a utopia profunda e soberana do nosso corpo. Talvez seja também preciso dizer que fazer amor é sentir o próprio corpo fechar-se sobre si, é existir finalmente fora de qualquer utopia, com toda a sua densidade, entre mãos do outro. Sob os dedos do outro que nos percorrem, todas as partes invisíveis do vosso corpo começam a existir. Contra os lábios do outro, os vossos tornam-se sensíveis. Diante dos seus olhos semicerrados, a vossa cara adquire uma certeza, há finalmente um olhar para ver as vossas pálpebras fechadas. O amor, também ele, como o espelho e como a morte, apazigua a utopia do vosso corpo, fá-la calar-se, acalma-a, fecha-a como que numa caixa, encerra-a e sela-a. É por isso que é um parente tão próximo da ilusão do espelho e da ameaça da morte. E se, apesar destas duas figuras perigosas que o rodeiam, se gosta tanto de fazer amor, é porque, no amor, o corpo está aqui. Michel Foucault [conferência radiofónica de 1966 editada em CD pelo INA]

Intervenção na Accademia di Venezia, 2006

Site-specific art é, hoje em dia, uma noção ou modo de criação artística no qual se definem questões relativas a presença. É a arte que transporta o trabalho artístico para locais reais. Não mais locais isentos de vida, como são exemplo as galerias, e todos os espaços construidos como “tábuas rasas” para a apresentação de obras-de-arte.

Positivo, 2004

Uma obra dependente da outra. Isto é positivo.

Reflexo, 2005

É preciso interrogar o reflexo ao nível da existência.